A história do Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama

O Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama foi realizado pela primeira vez no ano de 1989, dando abertura a quase uma década de festivais anuais ininterruptos. Ao longo de 1999 a 2008 o evento esteve paralisado, mas em 2009 retomou ao cenário gramense, revivendo-se o clima de animação e valorização da cultura sertaneja.

Os relatos locais apontam duas fontes de inspiração para a criação do evento, sendo elas as ideias sugeridas por Maria do Carmo Braga e por Rita de Cássia Russo Lima, sendo a iniciativa efetivada por Rita de Cássia e Regina de Lourdes Nunes. Ao que indicam os relatos, Maria do Carmo teve o desejo de realizar o festival de violeiros, a partir do Festival da Canção que teria ocorrido em período curto na localidade e que possuía um perfil de gêneros musicais variados. Assim, a proposta era que fosse criado um evento mais voltado para a cultura de raiz da cidade.

Segundo as narrativas de Regina, que na época trabalhava como secretária na Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama e era amiga de Rita de Cássia e de Maria do Carmo Braga, a criação do evento:

"Na verdade surgiu por ideia de Maria do Carmo Braga, que comentou, que falou uma vez na venda de Colinha e logo em seguida, em 88, o Expedito ganhou as eleições. Ele ganhou em 88, em 89, em 13 de junho a gente fez o primeiro festival. [inaudível] minha e da Rita Russo." (Entrevista, Regina Nunes)

Em entrevista, Maria do Carmo explicou que apenas teve a ideia e que comentou com as amigas, mas que a execução do festival esteve totalmente a cargo de Rita e Regina. Segundo sua narrativa: "Eu só dei a ideia pra Rita. Foi que antes tinha um festival, era o festival da canção, que não é a música própria aqui da região. Aí eu dei a ideia que fizesse de violeiro."

Rita de Cássia Russo Lima, nesta época, atuava como vereadora da Câmara Municipal, filha do então Prefeito Municipal de Santo Antônio do Grama Expedito Pereira Lima. Através da consulta ao Jornal PRO-GRAMA percebe-se a indicação da idealização do evento também por Rita:

"O Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama foi criado a partir de uma ideia de Rita Russo, vereadora na época. Segundo Rita, ela participou de um evento na Jatiboca que levava o nome de Festival de Violeiros e pensou em fazer algo parecido no Grama. A ideia foi aceita e, aproveitando o feriado do dia do padroeiro, em 12 e 13 de junho daquele ano, acontecia no Grama o Primeiro Festival de Violeiros, com o apoio total da Prefeitura." (Jornal PRO-GRAMA, ano I, nº2, Setembro/ Outubro/1994).

Vale mencionar que além de atuante na política local, Rita Russo também apresentava uma destacada carreira artística, sendo atuante como cantora profissional - o que trazia uma grande motivação para a execução do festival. Neste sentido ela própria relata:

"Na época eu era vereadora de Santo Antônio do Grama e eu fui cantora profissional por muitos anos, eu sei da dificuldade que os artistas enfrentam para divulgar o seu trabalho, então na época me veio a ideia de criar um evento que desse oportunidade aos artistas anônimos da cidade e da região se apresentarem e mostrarem o seu talento. [...] O festival de violeiros, na minha opinião, ele serviu para incentivar a produção musical no nosso município e se tornou uma forma de lazer e de entretenimento e serviu também como uma oportunidade de interação entre os artistas. Eu acho que o festival de violeiros foi criado com muito carinho e no intuito mesmo de ser, assim, uma, no intuito de valorizar a cultura gramense. [...] Esse festival é uma festa muito bonita, uma festa que o povo participa e eu fico muito feliz, que uma ideia que a gente teve há muitos anos atrás, que hoje ainda, a prefeitura ainda realiza, eu fico feliz de saber que valeu a pena né, ter criado o festival e que até hoje ele está aí servindo de oportunidade para todos os artistas da região."  (Entrevista, Rita Russo)

O primeiro Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama foi então realizado nos dias 12 e 13 de junho de 1989, tendo seu início na Praça da Rodoviária, mas, devido uma forte chuva, foi transferido de imediato para o Centro Comunitário de Santo Antônio do Grama. A Prefeitura Municipal foi grande apoiadora do evento, mas os entrevistados ressaltam que esta não foi a responsável direta pela realização do festival, ficando este a cargo das organizadoras Rita e Regina.

"Nós duas não tínhamos um papel definido para cada uma, todas nós fazíamos parte da comissão organizadora e a gente era responsável por tudo, desde a criação, a divulgação, até a realização do evento. Nós fizemos tudo sozinhas. Tivemos ajuda, apoio, mas a realização mesmo e correr atrás de tudo fomos nós que fizemos." (Entrevista, Rita Russo)

As dificuldades para a realização do festival foram diversas, mas a principal se referia à falta de verbas, pois até então não havia um recurso específico para tal. Sendo assim, além da colaboração da Prefeitura Municipal, houve a contribuição de diversos patrocinadores, como conta Regina: "O cartaz do primeiro a gente pediu muito patrocínio, porque na época a prefeitura não podia bancar a festa. Aí a gente pediu, o cartaz tinha mais assinaturas do que a própria propaganda da festa (risos), tinha patrocinador demais da conta." Rita Russo também comenta sobre estes desafios:

"Na época realizar um evento desconhecido pelo público e também sem recursos próprios para isso, foi muito difícil. Mas graças ao apoio da prefeitura que, na época nos apoiou muito e de diversos colaboradores da cidade e da região, alguns agricultores também, nós conseguimos realizar o primeiro festival. E graças a Deus depois se tornou, mais tarde, uma festa tradicional no nosso município." (Entrevista, Rita Russo).

"Apesar das dificuldades iniciais, naturalmente enfrentadas na criação de um grande evento, o festival foi bastante procurado e contou com a participação de candidatos de toda a região. O primeiro vencedor foi o "Trio Amante Sertanejo", da cidade de Coronel Fabriciano e entre os concorrentes de Santo Antônio do Grama, o destaque foi dado a Raimundinho, que ganhou em terceiro lugar." (Jornal Pro-Grama, p.6, Set/Out/1994) Segundo Rita Russo: "Houve uma participação muito grande tanto da comunidade local, quanto dos artistas da região e o evento foi um sucesso, se tornando melhor e mais tradicional a cada ano que passava."

Além de oferecer o entretenimento para a comunidade local, o primeiro festival também se atentou a uma campanha social, realizando a aquisição de verbas para a compra de cobertores, que foram doados às pessoas carentes do município. Entretanto, devido à dificuldade de patrocínio, este empreendimento ficou limitado à primeira edição. (Jornal PRO-GRAMA, ano I, nº2, Setembro/ Outubro/1994).

Por ter sido bem sucedido, no ano seguinte, 1990, o Festival de Violeiros deu continuidade, alterando-se apenas a data de sua realização, a fim de não coincidir com o calendário religioso da cidade que em junho comemora a festa do padroeiro. As atividades aconteceram nos dias 31 de agosto e 1º e 2 de setembro, mantendo-se a Praça da Rodoviária como palco. As apresentações se dividiram no número de quinze para a sexta-feira e o sábado, havendo dez finalistas para o domingo. Nos três dias de festa o evento foi encerrado com a apresentação de bandas contratadas, sendo elas Banda Modullum, de Belo Horizonte, Popu Music, de Jequeri, e Os Amantes Sertanejos, de Coronel Fabriciano. Segundo estimativas, havia um público de mais de cinco mil pessoas, entre eles: "visitantes vindo de quase todas as regiões do Estado, muitos pela primeira vez e outros, filhos da terra, vieram matar as saudades." (recortes de jornal sem identificação, pertencentes ao acervo de Rita Russo).

Segundo avaliação da então coordenadora Rita Russo, através das inscrições realizadas, pôde-se notar que já neste segundo ano a festa estava se tornando "de caráter regional ou até mesmo estadual", o que resultava que "o nível da competição se elevasse bastante com relação ao do ano anterior".

Sobre o ano seguinte, 1991, identifica-se o Regulamento do 3º Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama - não se sabe exatamente se para os anos anteriores existiu um ofício tal como este. O Regulamento em questão referia-se ao evento ocorrido nos dias 05, 06 e 07 de julho de 1991 - o que mostra mais uma variação nas datas, relembrando que no primeiro ano o festival ocorreu em junho, no segundo em setembro e agora em julho.

Entre as cláusulas do regulamento estava delimitado o prazo limite para a inscrição, sendo até o dia 28 de junho, a ser realizada na Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama, e efetivada com Regina Nunes, ou pelo correio. Cada participante poderia se inscrever com no máximo três músicas, e o documento deixava claro que estas deveriam ser: "de cantores ou duplas sertanejas conhecidas pelo público" (Regulamento de 1997). No ato da inscrição deveriam ser entregues seis cópias datilografadas das músicas escolhidas pelo concorrente, com o nome e o seu endereço para contato.

Em relação à organização do concurso, o regulamento aponta que a comissão de seleção selecionava vinte músicas para a fase eliminatória, a serem distribuídas da seguinte forma: 1ª Eliminatória - 10 músicas - dia 5; 2ª Eliminatória - 10 músicas - dia 6; Fase final - 10 melhores músicas - dia 07. A ordem de apresentação era escolhida por sorteio e aquela música cujo apresentador não comparecesse no dia e hora pré-definido seria automaticamente desclassificada. Em todos os dias as apresentações se iniciariam às 20 horas e a escolha das melhores músicas era realizada pelo júri, escolhido pela comissão organizadora, lendo-se que: "suas decisões serão irrevogáveis" (Regulamento de 1997).

O regulamento esclarecia que não haveria ajuda de custo aos participantes, mas assegurava que os concorrentes contariam com a aparelhagem de som e uso de bateria para as apresentações. Por fim, apontava-se a premiação, distribuída do seguinte modo: 1º lugar - CR$100,000,00 + Troféu; 2º lugar - CR$80,000,00 + Troféu; 3º lugar - CR$50,000,00 + Troféu; Melhor concorrente da terra - CR$50,000,00 + Troféu; Medalha para os finalistas.

Em relação à execução do festival em si, neste mesmo ano concorreram mais de quarenta participantes. De acordo com recortes de um jornal não identificado, pertencentes ao acervo de Rita Russo, "A cada ano, a festa fica mais concorrida, vindo gente de quase todas as cidades do Vale do Piranga, que são muito bem recebidas pela comunidade gramense." A mesma fonte documental informa dados detalhados sobre os jurados que participaram desta edição, sendo eles: "Luiz Antônio Frade (empresário, gramense, grande apreciador da música sertaneja e residente em Belo Horizonte; Júlio César (Conselheiro do Bemge e assessor do deputado estadual Paulo Pettersen); Rita de Cássia Braga Quintão (professora de português); Hélio Salgado (radialista e apresentador do programa "Saudades de Minha Terra" pela Rádio América); e Frederico César (músico e componente da banda Graduação Máxima - BH)".

Em relação ao ano de 1992, IV Festival de Violeiros, não foram identificados dados detalhados em relação à programação do evento. No entanto, o JORNAL PRO-GRAMA, em sua edição nº 02, aponta uma informação bastante relevante, quando informa que foi neste ano que criou-se o Festival de Cantores Mirins, como parte do atrativo do Festival de Violeiros: "Em 1992, além do V Festival de Violeiros aconteceu também o I Festival de Cantores Mirins, na tarde de domingo, que passou a estar presente em todos os festivais, distribuindo prêmios a todos os participantes e uma bicicleta ao vencedor." (Jornal PRO-GRAMA, ano I, nº2, Setembro/ Outubro/1994).

Em relação à criação da categoria mirim - específica para as crianças, bem como à do melhor da terra - focada apenas nos moradores de Santo Antônio do Grama, a então organizadora Regina Nunes comentou:

"Isso é muito bom porque despertou vários artistas da terra. Hoje tem gente que sobrevive de show e as primeiras apresentações foram feitas no festival de violeiros. Então começou, depois a gente melhorou. Aí, quando foi no segundo ano, a gente colocou um limite de idade. [...] Aí a gente criou um festival mirim, por causa dessas meninas, nós botamos um limite de idade para participar. O mirim veio no terceiro ano do festival [segundo a fonte jornalística, teria sido no quarto ano]. Aí criamos o prêmio de melhor da terra, melhor apresentação da terra. A primeira dupla a ganhar foi Creuza e Claudinha de Barra Longa, que elas apresentaram e ganharam. E assim, com aquele mirim foi despertando. Depois Claudinha viveu de música muito tempo, Zezé Diola vive de música e foram muitos outros que foram apresentando e teve ano que tinha melhor qualidade." (Entrevista, Regina Nunes).

Quanto ao ano de 1993, de acordo com as entrevistas, neste ano ocorreu o V Festival de Violeiros, no mesmo formato da edição anterior. A única fonte documental encontrada somente lista os vencedores do V Festival de Violeiros, que teria acontecido nos dias 3, 4 e 5 de setembro de 1993: "1º lugar: Sandra Márcia - Urucânia; 2º lugar: Layson e Lúcio - Rio Casca; 3º lugar: Ubaldo e Heloísa - Viçosa; Melhor da Terra: Rizomar" (Jornal PRO-GRAMA, ano I, nº2, Setembro/ Outubro/1994).

Em 1994 o VI Festival de Violeiros aconteceu entre os dias 09 a 11 de setembro, alterando-se mais uma vez a data do evento. No geral, se apresentaram vinte e nove artistas da região e da própria cidade, sendo especificamente oito gramenses. Estes concorreram nos dois primeiros dias, para chegar ao domingo entre os dez finalistas. Os ganhadores foram os seguintes: "1º lugar: Dé e Pinguiim, com a música "Pode ser pra valer"; 2º lugar: Raízes do Sertão, com a "Música da Saudade"; 3º lugar: Irmãos Leal, com a música "Planeta Azul". Rizomar interpretou "Cavalo Preto" e recebeu o prêmio de Melhor da Terra pela terceira vez consecutiva." (Jornal PRO-GRAMA, ano I, nº2, Setembro/ Outubro/1994).

O Jornal PRO-GRAMA, assim como os dos anos anteriores, também comenta sobre o crescimento do evento: "Esse ano, o público presente foi muito superior em relação aos anos passados. Esse grande número de apreciadores só foi possível graças à presença em massa da galera de Jatiboca e de outras cidades vizinhas, e à competente comissão organizadora, formada por Jéferson, Regina, Meirinha e Alcione.".

Neste mesmo ano, o festival mirim aconteceu no domingo, a partir das 13 horas, tendo como vencedores as seguintes crianças: "Rosa e Josiane, seguidas de Danilo e Natália, Patrícia e Silvana e Expedito e Sabrina." (Jornal PRO-GRAMA, ano I, nº2, Setembro/ Outubro/1994).

No ano de 1995 foi realizado o VII Festival de Violeiros, entre os dias 7 a 10 de setembro - mantendo-se a data aproximada ao ano anterior. Foram concorrentes 21 cantores, na categoria geral, e 9 no Melhor da Terra, pleiteando os seguintes prêmios: R$500,00 para o 1º lugar; R$ 400,00 para o 2º lugar; R$ 300,00 para o 3º lugar e para o Melhor da Terra, além de troféus distribuídos à todos estes.

A classificação foi realizada nos dias 7 e 8, quando definiram-se os finalistas que se apresentaram no dia 9 de setembro, sábado, sendo estes 5 cantores gramenses e 10 cantores da região. "A classificação final ficou assim definida: 1º lugar: Raízes do Sertão (Abre Campo), interpretando "Saudades dela"; 2º lugar: Layson (Rio Casca), que interpretou "Bandidos com razão"; 3º lugar: Irmãos Leal (Urucânia), interpretaram "O Último Julgamento"; Melhor da Terra: José das Graças, que cantou "Tum-tum-tum de saudade"." Já na categoria mirim, as apresentações ocorreram no domingo, após as 16 horas, tendo como vencedoras: "Sandra de Jesus, seguida de Patrícia Faustino e Eliana de Souza." (Jornal PRO-GRAMA, ano II, nº11, Setembro/1995).

O festival foi apresentado por Luís Antônio Prado, da Rádio Bandeirantes do Rio de Janeiro e a sonorização foi feita por "Geniais". Fechando as noites do festival, ocorreram os shows das bandas contratadas: "Reza Forte", "Magia Tropical", "Tropicália" e "Enigma Som".

O Festival de Violeiros seguiu sua realização em 1996, em sua VIII edição, que aconteceu entre os dias 27 a 29 de setembro - dando continuidade à realização neste mês, o que se manteve nos anos posteriores. Concorrendo ao prêmio de Melhor da Terra, no primeiro dia se apresentaram 5 concorrentes e no segundo dia outros 5. Por sua vez, na disputa da categoria regional se apresentaram 10 participantes na primeira fase e 9 na segunda, sendo classificados para o final, no domingo, 15 candidatos, dos quais 10 concorreram ao prêmio regional.

Os ganhadores foram os seguintes: "No final, o 1º lugar, troféu e R$ 600,00, com Dário Alves de Acipreste, de Abre Campo, que interpretou "Quero ver aquele que não chora", de Zé Rico. Pela quinta vez, em 8 anos de Festival, representantes de Abre Campo são premiados entre os três melhores. Em 2º lugar ficou Sandra Márcia, de Urucânia, que cantou "Doce Mistério", de Leandro e Leonardo, recebendo o troféu, mais R$ 500,00. Pela 3ª vez, Layson Gomes da Silva, de Rio Casca, é premiado no Festival de Violeiros. Desta vez, interpretando "Um homem quando chora", de Chitãozinho e Xororó, levou um troféu e R$ 400,00 pelo 3º lugar. Na categoria Melhor da Terra ficaram Cláudia e Aloísio, que cantaram "Quatro Estações", de Zezé di Camargo e Luciano, e levaram um troféu e mais R$ 400,00. Já no Festival Mirim, na tarde do Domingo, estavam inscritos 52 concorrentes. O 1º lugar uma bicicleta mountain bike, ficou com Eliane de Souza, com Demerval Barbosa em 2º e Sheila Flores da Silva em 3º." (Jornal PRO-GRAMA, ano 3, nº22, Outubro/Novembro/1996)

A apresentação do festival foi realizada por Vicente de Freitas e as bandas que se apresentaram ao final de cada dia foram: Showcant, Big Valley Country e Ases do Samba.

Identifica-se mais um regulamento para o Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama, este escrito no ano de 1997. O Regulamento do XIX Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama explicitava que a inscrição ocorria entre os dias 15 de agosto a 20 de setembro de 1997 e o evento ocorria entre os dias 26 a 28 de setembro. Somente poderiam se inscrever maiores de 16 anos e o cadastro deveria ser realizado na Prefeitura Municipal ou pelos correios. Esta restrição da idade se referia à ampla concorrência, deixando separadamente as inscrições mirins.

Cada concorrente poderia se inscrever para no máximo três músicas "de cantores ou duplas sertanejas conhecidas pelo público" e poderiam "se inscrever na categoria individual, dupla, trio ou conjunto." (Regulamento de 1997). No ato da inscrição cada candidato deveria entregar duas cópias datilografadas da música a ser apresentada, além de uma fita cassete gravada com a música da inscrição. A comissão de seleção elegia vinte músicas para as fases eliminatórias, que eram assim distribuídas: 1ª Eliminatória - 10 músicas - dia 26; 2ª Eliminatória - 10 músicas - 27 de setembro; Fase Final - 10 melhores músicas escolhidas durante as duas fases eliminatórias - dia 28. A ordem de apresentação era escolhida por sorteio e aquela música cujo apresentador não comparecesse no dia e hora pré-definido seria automaticamente desclassificada. Em todos os dias as apresentações se iniciavam às 20 horas. A escolha das melhores músicas seria realizada pelo júri, escolhido pela comissão organizadora, destacando-se que "suas decisões serão irrevogáveis". E mais: "a comissão julgadora, formada por profissionais e conhecedores da música, julgarão os seguintes quesitos: interpretação, voz, presença no palco, afinação, ritmo e dicção". (Regulamento de 1997).

O regulamento esclarecia que não haveria ajuda de custo aos participantes, mas assegurava que os concorrentes contariam com a aparelhagem de som e uso da bateria para as apresentações. Por fim, apontava-se a premiação, distribuída do seguinte modo: 1º lugar -R$ 600,00 + Troféu; 2º lugar - R$500,00 + Troféu; 3º lugar - R$ 400,00 + Troféu; Melhor concorrente da terra - R$ 300,00 + Troféu; Melhor cantor mirim - 1 bicicleta.

Com relação ao ano de 1998, não foram encontrados registros documentais sobre o X Festival de Violeiros, mas os relatos dão conta de que o festival aconteceu com a mesma estrutura e regulamento do ano anterior.

Apesar da boa estrutura da décima edição do Festival de Violeiros, neste ano, 1998, as atividades foram paralisadas. De acordo com os entrevistados, esta interrupção ocorreu, pois, sob influência de uma tendência regional, começou a ser realizada a Festa do Peão em Santo Antônio do Grama, o que deslocou o foco da municipalidade e do público. Segundo os relatos de Regina Nunes: "Aí já começou a surgir aquelas cavalgadas, festa do peão na região, aí começou a fazer e a prefeitura não tinha, às vezes, condições financeiras para fazer as duas. Aí foi feito em agosto a primeira festa do peão. Em 1999."

O Festival de Violeiros foi então paralisado, deixando bastante saudade na comunidade gramense, já habituada a desfrutar do final de semana harmônico com os amigos, familiares e de intercâmbio com pessoas residentes nas cidades próximas. São várias as narrativas que indicam a proximidade entre a população local e o evento, deixando pistas dos momentos mais marcantes.

O Senhor Tarcísio Reis dos Santos, por exemplo, morador antigo de Santo Antônio do Grama, conta sobre a relação do evento com a cultura sertaneja: "E o importante que eu acho do festival de violeiro, é a hora que eu chego que eu vejo, viola, violão, dois caboclo cantando apaixonado, ah...aí é comigo mesmo. Eu gosto. Então isso é o mais importante."

Flávio Felipe da Silva (nascido em Jequeri), cresceu no município de Santo Antônio do Grama e em grande parte de sua vida trabalhou como lavrador, residindo na área rural da cidade. Em seu depoimento ele comenta que cantou no Festival de Violeiros pela primeira vez aos dezoito anos de idade e, muito tímido, ficou satisfeito com o reconhecimento dado aos seus talentos pelo público, através do evento. Segue um trecho:

"Meu irmão cantava e eu não, eu tinha vergonha. Aí eu ficava vendo ele cantar, mas eu não tinha coragem de cantar não, porque eu ficava com vergonha. Aí um dia eu resolvi cantar, o pessoal gostou e nós continuou. [...] Na hora a gente treme muito né, primeira vez, vê aquele monte de gente na frente da gente. Nesses festival vem gente de toda a região. Aí dava aquela vergonha, tremendo demais e consegui cantar e ainda ganhamos o festival aí. Eu acho que foi na primeira vez. Depois nós continuamos e aí eu acho que teve dois anos que nós ganhamos. Aí os outros faltou pouco pra nós chegar, mas nós não ganhamos não." (Entrevista, Flávio Felipe da Silva).

Assim como Flávio relatou ter tido o apoio do seu irmão para cantar no festival, Geraldo Acácio (que utiliza artisticamente o pseudônimo de Rizomar) também comenta de que forma o evento colaborava para a parceria no seio de sua família e como foi dada a continuidade da tradição do festival entre distintas gerações. Segundo seus relatos, a data de sua participação foge à memória, mas ele recorda que participou e ganhou premiação por três anos seguidos, próximo ao ano de 1992.

"Meus irmãos sempre era assim, oh, se você for, nós vamos. Se você não for, não vamos. Aí eu ficava: ah esse ano eu não vou, de jeito nenhum. Então ninguém vai. [...] Em 2013, aí o Afonso chegou pra mim e falou assim: e aí, está chegando o festival de violeiros, nós vamos fazer a inscrição? Eu falei, eu não, não vou mexer com isso não. Ih cara, meu filho, se você não for eu não vou também não. Eu já dei até, já fiz até a inscrição lá uai. Falei: ai, então você vai perder a inscrição, que eu não vou não. Aí depois, quase fechou a inscrição, a inscrição ia fechar no outro dia e tinha que ir lá confirmar. Aí ele passou e falou lá: oh cara, sem você nós não vamos não uai, eu fiz lá porque eu achei que você ia. Olhei pra ele assim e falei: ah, tudo bem. Fecha lá então que eu vou. Aí nós fomos. Fomos em 2013, porque em 2014 ele faleceu. Aí nós fomos lá, nós também não ganhamos nada, mas participamos. O importante não é ganhar, o importante é participar. [...] Agora em 2014 meu sobrinho foi. [...] Aí ele falou assim: ah eu não vou não, e eu falei: meu filho, vai. Representa seu pai lá que seu pai gostava muito do festival, eu também gosto muito. Você vai representar nós lá. Aí ele foi e deu certo." (Entrevista, Geraldo Acácio).

De forma descontraída, ele comenta ainda sobre os detalhes que lhe atraiam no evento: "O bom do festival é isso. O importante do festival para mim é o que acontece lá em cima! Eu acho engraçado aqui ali, o que acontece no festival. (risos) O cara arrebentar uma corda de violão lá em cima, ele leva um susto danado [...] Então, tudo faz parte do festival."

Ainda em relação à continuidade da tradição entre gerações, o caso de Valdecir Elias da Fonseca (nascido em Santo Antônio do Grama) é bastante relevante. Valdecir é filho do já falecido Raimundo Alves da Fonseca que, conhecido como Seu Raimundinho, é citado por praticamente todos os antigos participantes do festival. Os entrevistados se referem a ele como um senhor carismático, que possuía grandes conhecimentos musicais, em especial na habilidade com o violão e viola, e que ajudava a todos os cantores que necessitavam de algum músico para acompanhar as suas apresentações. José Henrique Domingues (nascido na comunidade rural de Córrego Fundo, em Santo Antônio do Grama), por exemplo, assim comenta: "Que ficou marcante para mim, foi o Raimundinho lá, inclusive a gente fala rua de baixo, sabe, ele foi um sucesso. Ele realmente foi um sucesso. Ele foi o único do Grama que ganhou no geral. [...] Esse foi marcante mesmo, sabe?! [...] Raimundo Alves da Fonseca, sanfona e violão."

Segundo Valdecir Elias, seu pai, Seu Raimundinho lhe ensinou desde pequeno a tocar alguns instrumentos e, por sua vez Valdecir passou a participar do festival e também ajudar a comunidade gramense interessada em participar do evento. Além disso, ele ainda repassou os conhecimentos ao seu filho Lucas Frade da Fonseca, jovem que também faz questão de ensinar o que aprendeu àqueles que lhe procuram. De acordo com Valdecir:

"Meu pai, a trajetória dele é a mesma que eu sigo, sempre ajudando as pessoas que precisam de acompanhamento, que querem cantar, a gente quer ajudar a divulgar as músicas sabe. A pessoa que quer cantar, a gente toca mais ou menos, tem que ensinar, tem que passar pras pessoas aí. "(Entrevista, Valdecir Elias)

Por sua vez, seu filho Lucas fala da sua motivação de repassar os conhecimentos musicais que têm adiante:

"É importante né, porque as pessoas ficam mexendo com droga, esses trem assim, se for procurar a música e seguir o caminho certo... música pra mim é minha vida. Eu, graças ao meu pai e graças a Deus também, eu aprendi a tocar e música pra mim, é como se fosse tipo, é importante." (Entrevista, Lucas Frade)

Outros antigos participantes que podemos usar como exemplo em relação à vinculação do Festival de Violeiros com as tradições familiares é o dos irmãos Andreza de Lurdes Barbosa Amorim e Dermerval Fideles Barbosa Amorim (ambos nascidos em Santo Antônio do Grama). Os dois participaram do Festival de Violeiros na categoria mirim, cantando em dupla e/ou solo. Em suas recordações, nota-se o saudosismo em relação aos ensaios que aconteciam nos dias antecedentes ao evento, onde as crianças da localidade se reuniam e, além da responsabilidade dos preparos artísticos, também se divertiam. Segundo Demerval:

"O pessoal na época ensaiava todo mundo junto, então a gente ensaiava ali perto de, Seu Geraldinho Deodoro tinha uma venda, na época ali tinha um pé de ingá, tinha dois pés de ingá ali, na Capitão Braga, aí Seu Geraldinho Deodoro tinha uma venda e todo mundo ia pra lá e ensaiava. Porque tinha pouco violeiro na época, pessoal tocava violão. Era o Breque [...] um dos tocadores de violão da época, tocava pra todo mundo. Aí juntava aquela turma de menino e ele tocava pra todo mundo. [...] O Breque tocava pra todo mundo, as crianças iam pra lá, adolescente e os meninos iam tudo pra lá." (Entrevista, Demerval Fideles).

Por sua vez, Andreza relata:

"Aquele homem, o Breque, ele que ensaiava a gente, ia a meninada toda pra casa dele, onde ele morava, e todo mundo ficava lá e ia ensaiar com ele. [...] E era muita criança que cantava, toda criança. Eu lembro que na minha rua era muita criança, todo mundo cantava. Às vezes a pessoa nem sabia cantar e participava porque ganhava prêmio, só de participar. E como pra gente aquelas coisas eram muito difíceis, todo mundo da minha geração, o pessoal que morava perto da minha casa, não tinha muita condição de ficar comprando brinquedo e essas coisas. E a gente ganhava brinquedo." (Entrevista, Andreza Amorim).

Demerval e Andreza também dão destaque à questão da premiação que era ofertada pelo evento aos cantores mirins. Segundo os irmãos, todas as crianças ganhavam um prêmio simplório de participação, enquanto os vencedores concorriam a uma bicicleta, o que era muito desejado na época e colaborava para o incentivo de suas participações. De acordo com Demerval: "Uma bicicleta pro menino na época, era a oportunidade que nós tínhamos de ter uma bicicleta era essa. Meu pai não tinha condições. Aí nós cantamos assim, o pessoal lá em casa: ah, nós vamos cantar." Andreza assim comenta:

"Eu lembro que a gente ganhava brinquedo, para participar a gente ganhava e a gente gostava de participar. Eu lembro que eu ganhei uma Barbie, naquela época Barbie nem era assim essas tão ruim que nem hoje tem, de plástico não, só que não era original também não. Mas era novidade." (Entrevista, Andreza Amorim).

Outra recordação que se faz comum nas narrativas dos entrevistados é em relação às torcidas organizadas que também eram premiadas durante o Festival de Violeiros. Estas torcidas eram associadas tanto pelo público que acompanhava os artistas que se deslocavam para se apresentar em Santo Antônio do Grama, assim como havia a torcida local. As mais animadas ganhavam uma caixa de cerveja, oferecida pela organização do evento. Andreza Amorim recordando desta situação diz:

"Eu lembro do festival o seguinte, minha mãe, eu ia a noite também, eu era pequena mas eu ia a noite porque a gente vendia pipoca [...], aí a gente sempre ia e a noite era muito legal. Muito mais legal do que hoje. Porque tinha torcidas, aí o pessoal vinha muito, porque assim, quase não tinha festa na região na época e vinha muita gente pra cá. [...] Qual torcida que fosse melhor ganhava uma caixa de cerveja. Era muito legal, o pessoal ficava torcendo mesmo, prestando atenção, assistindo." (Entrevista, Andreza Amorim).

Outra fonte de informação que dá destaque à participação das torcidas, é um dos recortes de um jornal não identificado, do ano de 1991, pertencente ao acervo de Rita Russo, que, com o título "As torcidas deram um brilho especial", descreve como mais animadas a "Jatiboca" e a "Aqui nóis grita, aqui nóis bebe", que mostraram seu entusiasmo na final, ocorrida no domingo:

"Nem mesmo o frio conseguiu afastar o público da praça da Rodoviária. Durante os três dias, as torcidas proporcionaram um brilho especial à festa, torcendo entusiasticamente para seus artistas preferidos. Cantando, dançando, gritando e brincando, jovens e adultos mostraram muita alegria e disposição, constituindo uma peça fundamental para o evento. Uma disputa sadia travou-se entre as torcidas, cada uma querendo fazer mais barulho do que a outra, afinal a festa era do povo. A animação ficou ainda maior com as apresentações do conjunto Modulum, que mexeu com o público tocando inúmeros sucessos da música nacional e internacional. Também o apresentador, o radialista Vicente de Freitas, levou muito entusiasmo às torcidas com sua maneira especial de comunicar. Todos os dias as torcidas disputaram caixas de cervejas oferecidas pela organização. No domingo, a disputa foi acirrada, "Jatiboca" e "Aqui nóis grita, aqui nóis bebe" deram muito trabalho ao júri para escolher a mais animada. Com uma ligeira vantagem, as três caixas de cerveja ficou com "Aqui nóis grita, aqui nóis bebe". " (jornal não identificado)

Conforme pode ser percebido nos relatos, o Festival de Violeiros era vivenciado pela comunidade gramense em um clima que muito lhes agradava. Os moradores locais se reuniam na Praça da Rodoviária, organizada de um modo bastante simples para o evento. De acordo com os relatos, o palco era montado em um caramanchão e o público levava as cadeiras de suas próprias residências para distribuir no espaço público. Ali passavam o longo do dia acompanhando entusiasmadamente cada apresentação. Segundo José Henrique, citado anteriormente, o festival:

"Era um ambiente familiar, o pessoal ficava sentado ali até a madrugada. Chamava-se caramanchão, então eles montavam um palco simples lá e o pessoal ficava sentado ali naqueles bancos ali do jardim mesmo, alguns traziam algumas cadeiras, que residiam por ali sabe, e ficava por ali. Cadeira de casa mesmo, sentava ali sabe, e era um ambiente familiar e amigável. Ali nós contávamos nos casos e palmas né, quando os cantores se apresentavam, muitas palmas, muita alegria, então foi muito marcante. Eu chamo essa época de o Grama triunfante. Igual eu te falei, foi a mesma coisa de abrir né, a prisão, para a liberdade de expressão do povo brasileiro. [...] Então foi assim um esplendor, da cultura gramense nessa época. [Os artistas] vinham da região, vinham de Viçosa, Urucânia que é vizinho aqui, Abre Campo e a prata da casa era Santo Antônio do Grama. Mas havia cantores lá do Grama também, foi uma época muito boa." (Entrevista, José Henrique Domingos)

Frente ao envolvimento explícito em cada relato aqui mencionado, ao longo dos anos em que o Festival de Violeiros não ocorria, a partir de 1999, era grande o anseio pela sua recriação. Em razão disto, em 2009, Regina de Lourdes Nunes, responsável pela realização dos primeiros eventos, realizou uma mobilização local para que a atividade fosse retomada - o que se efetivou neste mesmo ano, a partir de então sob o título de Festival da Música Sertaneja. Relembrando deste contexto, Regina diz: "Em 2009 eu voltei com ele, pressionei para voltar com ele. Na verdade é uma coisa que a gente teve uma ideia, trabalhamos em cima daquilo, criamos e vimos o desenvolvimento."

Segundo os participantes mais antigos, as características que mais marcaram as mudanças desta "segunda temporada" do festival foram a melhor adaptação da Praça da Rodoviária, para abrigar o evento, e a diversificação do perfil das apresentações. A denominação Festival da Música Sertaneja ao invés de Festival de Violeiros passou a ser utilizada, já que, além de viola e violão, desde as antigas edições do evento se permitiu a utilização de instrumentos eletrônicos e de percussão. A partir de 2009, seguindo uma tendência da própria música sertaneja, o uso de aparelhos eletrônicos se intensificou, como, por exemplo, o teclado, com todos os seus recursos. Esta mudança não foi bem vista por muitos daqueles amantes da cultura musical de raiz, por outro lado, o festival manteve ganhando grande prestígio na região, atraindo novamente um grande público.

Sobre o ano de 2009 não encontramos detalhes minuciosos acerca da festividade, mas de acordo com os relatos o evento foi retomado com bastante entusiasmo pela comunidade local. Em relação ao ano de 2010, encontramos alguns apontamentos no site santoantoniodograma.blosgot.com, onde pode ser verificado que a municipalidade oferecia apoio efetivo para a realização do festival. O registro diz: "Terminou com sucesso o II Festival da Música Sertaneja de Santo Antônio do Grama, realizado pela Prefeitura e pela Câmara Municipal. A final contou com a participação de 10 concorrentes, sendo três de Santo Antônio do Grama." A mesma fonte apresenta a data da final do concurso, 13 de junho, e confirma que neste ano também ocorreu o Festival da Música Sertaneja Mirim, com crianças de idade inferior a 15 anos, o que mostra que a estrutura do antigo Festival de Violeiros foi em grande parte mantida. Os vencedores de 2010 foram: 1º lugar: Leandro Soares e Mateus (Raul Soares); 2º lugar: Andréia e Andresa (Santo Antônio do Grama); 3º lugar: Elivelton (Piedade de Ponte Nova); Melhor da terra: Paulo Sérgio Cristiano. Na categoria mirim, os vencedores foram: 1º lugar: Luís Sérgio Cristiano; 2º lugar: Rafaela Gomes Ferreira; 3º lugar: Denilson e Taciana. As shows musicais de encerramento foram com as duplas Edílson e Heraldo, Bráulio e Ricardo e a banda Olhos de Neon.

Ainda no site santoantoniodograma.blosgot.com, em comentários realizados por seguidores deste canal, há um relato interessante para se pensar sobre a participação da comunidade local. A opinião sobre o evento foi dada pelo internauta de nome Eduardo, em 23 de junho de 2010, onde ele diz:

"Dá gosto ver o nosso Grama hoje. Cidade bonita, acolhedora e em desenvolvimento. O retorno de eventos como o "festival" é de fundamental importância para a cidade. Quanta saudade daqueles antigos festivais!!! Quem não se lembra da torcida "Akiki nóis grita, akiki nóis bebe". Pena que tudo passa..."

Dados sobre o festival de 2011 também podem ser conferidos no site santoantoniodograma.blosgot.com, que indica que a final do festival neste ano ocorreu em 26 de junho, após três dias de festa. Os três primeiros ganhadores e o melhor da terra receberam a premiação em dinheiro, todos os finalistas da cidade foram homenageados com troféu e, entre os apresentadores mirins, todos receberam brindes e os ganhadores foram premiados com violão, para o primeiro e segundo lugar, e celular para o terceiro. Aconteceram ainda shows de encerramento em todos os dias, contando com as bandas: 1ª Classe, Ramon Tavares e Ryan, e Alex e Raphael. A classificação final ficou assim definida: 1º lugar: Ramon e Miranda (Raul Soares); 2º lugar: Jéssica e Thales (Ponte Nova); 3º lugar: Wanderson e Diego (Rio Casca); Melhor da Terra: Andréia e Andresa. No quesito "Aclamação Popular", criado pela Comissão Organizadora, foi premiado Abel Erik, de Santo Antônio do Grama. Já o resultado final do festival mirim ficou assim definido: 1º lugar: Pedro Henrique; 2º lugar: Lucas Santos; 3º lugar: Pedro e Taciana.

O site santoantoniodograma.blosgot.com apresenta os dados de que no ano de 2012 o Festival da Música Sertaneja apresentava mudanças em seu regulamento dando maior atenção aos apresentadores da cidade, segundo a fonte:

"A Comissão Organizadora divulgou, no último dia 17 de março, o regulamento do festival com diversas mudanças com relação ao ano de 2011. Uma delas é a criação da categoria "Melhor da Terra", que premiará os três melhores candidatos residentes em Santo Antônio do Grama. As eliminatórias continuam sendo realizadas nos primeiros dias, classificando-se, desta vez, 12 candidatos para a final, sendo obrigatoriamente, pelo menos os três melhores de Santo Antônio do Grama. Os candidatos da categoria Melhor da Terra classificados para a final disputam também o prêmio regional, podendo, inclusive, serem premiados nas duas categorias. Outra mudança importante é a inscrição de duas músicas, uma para a disputa das eliminatórias e outra para a disputa final, sendo permitida, desta vez, a inscrição de músicas inéditas. Já com relação à premiação, todos os classificados para a final que não forem premiados em primeiro, segundo ou terceiro lugar nas duas categorias receberão uma premiação de R$100,00."

Com suas alterações estipuladas, o festival de 2012 aconteceu entre os dias 08 a 10 de junho. Os vencedores foram: Categoria Regional: 1º lugar: Moraes Henrique e Mizael (Simonésia); 2º lugar: Mathias Neto e Josué (Caratinga); 3º lugar: Fernanda Salles e Alex (Ponte Nova); Categoria Melhor da Terra: 1º lugar: Andreza Amorim; 2º lugar: Pedro e Flávio; 3º lugar: Wanderson Neto. Já no Festival de Cantores Mirins, o 1º lugar ficou com Pedro Henrique, em 2º lugar ficou Lucas Santos e em 3º lugar, Wederson Maia (Abre Campo). Os shows de encerramento ficaram por conta da dupla Fred e Geraldinho e das bandas Nautillus e do cantor Wilhiam Silva.

No ano de 2013, o festival retomou o título original de Festival de Violeiros e foi realizado nos dias 15, 16 e 17 de novembro, havendo, mais uma vez, uma variação na data. Nesse ano, devido a obras de revitalização da Praça da Rodoviária, o Festival de Violeiros foi realizado no Parque de Exposições José Flaviano Bayão. Essa edição manteve grande parte do regulamento utilizado desde 2009, entretanto, passou a fazer restrições quanto ao uso de recursos eletrônicos dos teclados. Nessa edição também foi premiado o "Melhor violeiro ou música raiz". O site www.santoantoniodograma.mg.gov.br, informou sobre o festival:

"Depois de uma final muito concorrida, Mathias Neto e Josué, da cidade de Caratinga, faturaram o 1º lugar do Festival de Violeiros 2013 de Santo Antônio do Grama, interpretando a música "Mistério" de Matogrosso e Mathias. Em 2º lugar, Cícero Moreeno, de Cardosos, interpretando a canção "Licença Poética", de sua autoria e Luana Leel, de Ponte Nova, que ficou em 3º lugar, com a música "Romaria" de Renato Teixeira, completaram a lista de vencedores do Festival, que premiou ainda o violeiro Júlio Vasconcelos, de Sem Peixe, pela apresentação da música raiz "Saudade da Minha Terra", interpretada por Ernane. Na categoria Melhor da Terra, Andreza e Demerval, Paulo Sérgio e Wanderson Neto foram os vencedores. Já no Festival de Cantores Mirins, Wederson e Luís Sérgio, de Abre Campo, levaram o primeiro lugar, seguidos por Luís Sérgio e por Lucas Santos, ambos de Santo Antônio do Grama. A programação contou também com os shows de Régis Danese (comemorando o Dia do Evangélico), Banda Muito Mais, o consagrado grupo Karametade e a Banda Agência 4."

O Festival de Violeiros teve sequencia no ano de 2014, nos dias 14, 15 e 16 de novembro, retornando para a Praça da Rodoviária. Nesse ano, os vencedores foram: Categoria Regional: 1º lugar: Willian e Elivelton (Contagem); 2º lugar: Elísio e Elivelton (Piedade de Ponte Nova); 3º lugar: Dimas Roberto (Urucânia). Categoria Melhor da Terra: 1º lugar: Rafaela Gomes; 2º lugar: Edilaine Silva; 3º lugar: Andreza e Demerval. No Festival de Cantores Mirins, foram premiados: 1º lugar: Lucas Santos; 2º lugar: Alan e Kaíque (Abre Campo); 3º lugar: Luís Sérgio Cristiano. Os shows de encerramento ficaram por conta de Artigo Zero, Elton e Pedro Henrique, Mega Zonne e Wilhiam Silva. 

Depois da retomada, no ano de 2009, os festivais seguiam sucessivamente, no entanto, em 2015 houve uma interrupção na atividade. Programado para acontecer entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, o festival já seguia amplamente divulgado, quando, motivada pela grave crise econômica que atingiu o país, provocando uma redução drástica na arrecadação dos municípios, a Prefeitura de Santo Antônio do Grama, principal financiadora do evento, publicou uma nota no site oficial do Município e na página do Setor de Cultura na rede social Facebook, informando sobre o cancelamento do Festival de Violeiros naquele ano. A nota, na íntegra, informava:

"Em virtude da redução drástica dos repasses para os pequenos municípios, principalmente do Fundo de Participação dos Municípios - FPM, a Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama decidiu pelo cancelamento do Festival de Violeiros 2015, de modo a cumprir a responsabilidade fiscal e não comprometer o equilíbrio financeiro do Município. A Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama lamenta ter que adotar essa medida, mas que se faz necessária dado o momento de crise econômica pelo qual passa o país e conta com a compreensão de toda a comunidade gramense e dos participantes do festival. Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama, 21 de setembro de 2015."

No ano de 2016, de acordo com Gilvan de Assis, membro da Comissão Organizadora do Festival de Violeiros, tudo seguia programado para a realização do festival nos dias 12, 13 e 14 de novembro, quando, inesperadamente, a Assessoria Jurídica do Município de Santo Antônio do Grama, seguindo ordens expressas do Ministério Público Eleitoral, que ordenou que o município "se abstivesse de realizar eventos no ano eleitoral" solicitou novamente o cancelamento do evento. O regulamento da edição de 2016 trazia alterações importantes com relação aos anos anteriores, baseado nos relatos e entrevistas com os antigos participantes do festival e em seu artigo 11 acolhia a sugestão dos violeiros:

Art. 11 - Para a apresentação no festival, somente será admitido o acompanhamento instrumental com violão e viola caipira, sendo permitida ainda a utilização de sanfona e acordeon; entretanto, a utilização de violão e/ou viola caipira é obrigatória em todas as apresentações do festival.

I - Não será aceita, em nenhuma hipótese, a utilização de instrumentos eletrônicos, como teclado, guitarra, baixo e contrabaixo, instrumentos de sopro e instrumentos de ritmo e percussão, como bateria ou cajon.

Preocupados com a possibilidade de uma nova descontinuidade do Festival de Violeiros e da dependência de determinações políticas e econômicas para sua realização, o grupo de violeiros da cidade se juntou a parceiros como a Associação Comunitária de Rádio Mais FM, à Associação Grama Sustentável e à Território Turismo e organizaram uma edição especial do festival, somente com a participação exclusiva de músicos e instrumentistas de Santo Antônio do Grama.

Com estrutura e premiação bastante modesta, se comparado aos festivais anteriores, a décima sétima edição do Festival de Violeiros aconteceu na Praça da Rodoviária, no dia 23 de dezembro de 2016. Apesar disso, a festa contou com total apoio da comunidade e dos violeiros gramenses e homenageou Raimundo Alves da Fonseca, o Raimundinho, já citado anteriormente como referência musical de Santo Antônio do Grama, e que possui uma relação especial com o Festival de Violeiros, tendo inclusive vencido a edição de 1991. O cartaz dessa edição do festival nomeia o prêmio como troféu Raimundinho.

Os vencedores da edição especial do Festival de Violeiros de 2016 foram: 1º lugar: Andréia e Andresa; 2º lugar: Tarcísio Reis dos Santos; 3º lugar: Andreza e Demer. No Festival mirim, foram premiados: 1º lugar: Túlio Henrique; 2º lugar: Luana Araújo; 3º lugar: Ana Júlia.

Uma novidade a partir do ano de 2016 foi a criação do site www.festivaldevioleiros.com.br, cujo domínio foi adquirido pela Prefeitura Municipal, onde os participantes realizam suas inscrições e estão divulgadas todas as informações referentes aos regulamentos, além de informações históricas, vídeos e fotografias dos festivais de violeiros de Santo Antônio do Grama. Importante ressaltar que essa edição especial do festival manteve as alterações previstas no regulamento, proibindo a utilização de instrumentos eletrônicos, de sopro e percussão e valorizando o violão e a viola como instrumentos essenciais e obrigatórios.


Seguem abaixo relatos dos participantes do Festival de Violeiros que confirmam a singularidade que este evento apresenta para Santo Antônio do Grama, o que justifica a necessidade de sua instituição como patrimônio imaterial municipal:

Rita de Cássia Russo Lima, idealizadora do Festival de Violeiros:

"Hoje o festival de violeiros se tornou uma festa tradicional na cidade e em toda a região e é um evento já esperado por todos os artistas, todos os anos eles esperam este festival, para poder se apresentar, para poder mostrar o seu trabalho."

Regina de Lourdes Nunes, organizadora das primeiras realizações do Festival de Violeiros:

"Tem uma importância cultural muito grande. E acho até mesmo por questão de desenvolver os artistas da terra. Porque tem muita gente que tem vocação para a música nessa cidade. Então assim, acho que ele é um incentivo. [...] Hoje você vê, não é um só não, mas é muita gente que vive de música. Igual hoje, não só daqui não, mas de fora mesmo, que vive de música, mas que começou no festival de violeiro. [...] Para mim ele tem um valor muito grande, eu acho que não deveria acabar nunca. Você vê a coisa começando, a coisa melhorando, acontecendo. Eu acho muito importante."

José Henrique Domingues, pesquisador da história de Santo Antônio do Grama:

"[O Festival de Violeiros] é importante, porque existe um intercâmbio cultural e também um intercâmbio de pessoas. Eu acho isso muito importante. Um intercâmbio de conhecimentos, de ali ter a oportunidade para você conhecer pessoas, rever amigos. Então eu acho o ambiente muito saudável, muito importante para as pessoas. [...] não só de Santo Antônio do Grama. [...] Então, ficou assim de todos, ficou de todos. Porque, Santo Antônio do Grama, ele recebe muito bem, é um povo hospitaleiro, e isso atrai as pessoas. Então eu acho que é marcante este festival, muito importante. Porque a pessoa vai a Santo Antônio do Grama, tem a oportunidade de rever amigos, parentes e também quem nunca foi de conhecer a cidade.

[Sobre a atuação como jurado no Festival de Violeiros] É muito importante para mim, porque Santo Antônio do Grama é a minha terra e graças a Deus eu morei em Santo Antônio do Grama e lá é o seguinte, eu, meus pais, meus ancestrais, todos são de Santo Antônio do Grama, pais, avós, bisavós, todos de Santo Antônio do Grama e como eu amo muito Santo Antônio do Grama, então para mim é muito importante isso, sabe. Eu me sinto valorizado, melhora muito a minha auto-estima, eu me sinto assim, glorioso, envaidecido com isso, por ser lembrado. E eu gosto muito de Santo Antônio do Grama e eles também me prezam muito."

Andreza de Lurdes Barbosa Amorim, começou como cantora Mirim e depois retomou na categoria adulta nas apresentações do Festival de Violeiros:

"É muito bom pra cidade, valorizar esta cultura. Porque, eu acho que é desde antes de eu nascer o festival, e incentivas as pessoas, porque, aqui em Minas, aqui no Grama, a gente gosta muito, todo mundo gosta de um sertanejo. Então vai resgatando. Eu gosto de cantar música raiz, eu acho que é importante ser uma letra bonita, que é muito bonito né, é uma coisa cultural. Eu acho que é muito importante para a cidade. As crianças, eu hoje dou aula de violão e eu cantei, mostro fotos pros meus alunos de eu cantando. E hoje eu estou ensinando meus alunos a tocar e cantar pra tocar lá. [...] Quase todos os meus alunos vão tocar no festival. Eu acho isso muito importante, minha sobrinha quer cantar também. Eu acho importante passar de geração para geração, sabe.

[Sobre a participação enquanto era criança] Eu gostava de cantar, a gente era meio metido a cantor. E assim, eu gostava, porque dava brinquedo, e eu gostava muito de participar. [Motivação de retomar ao Festival depois de adulta] Porque eu gostava de música. Eu desenvolvi na música, aprendi a tocar violão quando eu tinha quatorze anos. [...] Comecei a gostar de música, meu irmão também e a gente se envolveu. [...] A gente começou a pegar gosto e aí você vê, até hoje eu estou, eu toco, toco pra fora. E a gente toca, porque gosta né."

Dermerval Fideles Barbosa Amorim, começou como cantor Mirim e depois retomou na categoria adulta nas apresentações do Festival de Violeiros:

"A gente se interage muito [os da cidade], a gente compete [...], a gente tem uma troca maior entre a gente mesmo. Mas a gente sempre pega alguma coisa, tem camarada bom que vem de fora, tem uns camaradas bons que cantam e a gente não deixa de aprender alguma coisa. Você leva o nome da cidade para outros lugares e traz algum retorno financeiro [...] levar o nome da cidade, atrair mais.

[Sobre sua motivação em participar do Festival] É a autopromoção, o festival ele te promove de alguma forma, você fica mais conhecido. Quem gosta de música, até porque eu gosto também, mas eu acho que assim, é a autopromoção, pra falar a verdade. [...] Quem gosta de cantar, gosta de cantar. Não tem jeito. Então é uma coisa que eu gosto. Você se autopromove, obviamente, mas é algo que a gente gosta de fazer.

[Sobe a importância do Festival de Violeiros] Culturalmente, turisticamente, atrai a atenção. É uma, faz parte da história da cidade. Eu, desde criança eu toco, eu canto aliás, e eu já vi alguns vídeos de noventa e poucos uma vez lá em casa, [...] eu vi o pessoal cantando. Já faz parte da tradição da cidade, eu acho que traz um benefício cultural assim. E incentiva a produção de músicas, surgimento de músicas, de pessoas que gostam da música, não deixa de ser uma festa muito interessante para a cidade. Muito interessante, em termos de história. [...] Tem uma história por traz do festival, então eu acho que valoriza a cultura do município, a história da cidade, faz parte. O festival de violeiros faz parte da história daqui."

Geraldo Acácio (Rizomar), participante antigo do Festival de Violeiros:

"Já é uma tradição, já faz parte do... isso é quase uma coisa folclórica, já quase que é isso daí. Já faz tanto tempo que vem tendo festival. Antes nós já fazia era gincana lá na praça, na porta da igreja. Eles punha o caminhão. Eu mais Afonso já cantamos lá. Ligava o microfone para nós e saia lá na torre da igreja. Então isso pra mim, desde essa gincana já vem fazendo parte dos festivais, que era todo ano. Agora, o festival já faz parte da tradição. Eu acho que é muito importante."

Tarcísio Reis dos Santos, participante antigo do Festival de Violeiros:

"Que eu fico satisfeito eu fico, porque é minha terra é o meu lugar, isso, eu tenho prazer de chegar lá no Rio Casca ou em outro lugar e falar assim: tem um festival de viola em Santo Antônio do Grama. Aqui é o meu lugar, é o meu orgulho que eu tenho."

José das Graças, participante antigo do Festival de Violeiros:

"É bom que incentiva nós, incentiva todo mundo que está começando a música, tem muito menino, a meninada está aprendendo a tocar. Eles passam a mão no violão e participam do mirim. Flávio.....tem um punhado nessa rua que está querendo tocar no festival."

Adaptação do histórico elaborado pela Historiadora Kelly Araujo Rabello, constante do dossiê de Registro do Festival de Violeiros de Santo Antônio do Grama. 2016/2017.